Esse conteúdo é um versão traduzida não oficial de uma página do site de Laurell K. Hamilton, onde ela conta como descobriu que queria ser escritora e como se tornou o sucesso que é hoje.
O conteúdo original está disponível em
http://www.laurellkhamilton.org/laurell-k-hamilton/
Sobre a autora Laurell K. Hamilton
Os antigos filmes sobre vampiros do estúdio Hammer podem ter sido uma das minhas influências, especialmente “Vampire Circus” também conhecido como “Circus of Fear”. O período entre 5 e 7 anos parecem ter sido os anos mais impressionantes.
Aprendi a ler com 7 anos. (Eu tinha uma dislexia não diagnosticada).
Tentei escrever histórias com 12 anos. Nunca terminei uma.
Encontrei uma coleção de histórias curtas, Pigeons From Hell de Robert E. Howard o criado de Conan o Bárbaro quando eu tinha 13 ou 14 anos. Foi a primeira fantasia sombria e heróica que eu li. Naquele momento eu soube que eu não apenas queria ser uma escritora, mas isso era o que eu queria escrever.
Li Charlotte’s Web de E. B. White com 13 ou 14 anos. Esse foi o primeiro livros a me ensinar um amor pela linguagem e hoje eu ainda uso algumas das técnicas que eu aprendi nesse livro para escrever.
Terminei minha primeira história aos 14 anos. Era uma história de terror onde todo mundo morria horrivelmente exceto um bebê que engatinhou para as árvores e ficava implícito que o bebê iria ter uma lenta e demorada morte por causa da inaninção e do frio.
Na primeira aula de escrita criativa minha professora me disse que a primeira história de vampiros eu que escrevi a assustou. Para uma tímida de 14 anos não havia nada melhor que ela poderia ter dito. Eu tinha aterrorizado um adulto.
Descobri Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, e Andre Norton aos 14 anos. Os dois primeiros me ensinaram mais sobre linguagem e atmosfera no papel. Sra. Norton foi a primeira mulher que eu soube que escrevia o que eu queria escrever. Isso me deu esperanças de que nem todo mundo que escrevia sobre isso era um cara branco morto.
Eu li as Bruxas de Salém de Stephen King e Entrevista com o Vampiro de Anne rice. Ambos os livros foram importantes influências para mim. Eu também encontrei um livro na biblioteca da escola chamado “The Natural History of the Vampire” de Anthony Masters. Era um livro de não-ficção cobrindo as lendas de vampiros e wereanimais ao redor do mundo. Foi também o primeiro livro que eu li com serial killers. Tudo isso teria uma profunda influência em mim como escritora.
Outra professora encontrou cópias de “The Writer” e “Writer’s Digest” na livraria por 5 centavos ou uma moeda. Ela veio até a escola e me deu um monte deles. Esse seria o começo da minha pesquisa de como ser uma escritora profissional. Eu acredito que tinha 15 ou 16 anos na época.
Com 17 anos eu estava colecinando minha primeira rejeição das minhas histórias. Eu li um artigo de Ray Bradbury nas revistas mencionadas acima. Ele recomendava pegar um pequeno quarto na sua casa e quando as paredes dele estivessem decoradas com suas notas de rejeição então você teria eliminado todas as besteiras de dentro de você e poderia ir para o prato principal do que você tem a dizer como escritor e você iria vender. Eu usei o banheiro.
Na faculdade me inscrevi no programa de escrita criatvia. Eu fui expulsa do programa no final do meu segundo ano. A chefe do programa de escrita me disse que eu era uma influência corruptiva nos outros estudantes.No programa de escrita eu produzi duas histórias curtas; uma história de vampiro e uma história Lovecraftian que teve a minha primeira cena de sexo. A professora achou que ela podia me curar de querer escrever o gênero de horror. Quando ela percebeu que não poderia me “curar”, ela decidiu me destruir. Ela me disse que eu nunca daria certo como escritora e me esmagou muito. Eu terminei minha graduação em Lingua Inglesa com cursos de literatura, e fui para o departamento de biologia. Eu consegui minha graduação em biologia em dois anos. As pessoas me perguntam, “Você já enviou a ela seus livros? Você já mostrou a ela o sucesso que você é?”
*Nota de tradução: Lovecraftian é um sub-gênero de horror e ficção que enfatiza o horror cósmico do desconhecido.
Não, porque não é que ela não acreditasse que eu não pudesse ser bem sucedida como escritora, ela tinha medo que eu pudesse. Ela temia que eu saisse e fizesse exatamente o que eu fiz, corromper milhões. Wahaha!
Eu não escreveria outra palavra pelos próximos dois anos. Eu mudei para Los Angeles e fiz meu primeiro trabalho cooperativo. Começei a enviar histórias novamente, e a receber belas notas de rejeição dos editores. Começei meu primeiro livro, duas páginas por dia todos os dias antes do trabalho.
Descobria as ficções de detetives hard-boiled na biblioteca local. A maior influência foram os livros de Robert B. Parker Spenser.
*Nota de tradução: Hard-boiled é um estilo literário, normalmente associado com histórias de detetives, caracterizado pela descrição desapaixonada de violência e sexo. Noir é um sub-estilo de Hard-boiled.
Mudei para St. Louis. Fui à minha primeira convenção de ficção científica, NamethatCon. Fui a um workshop sobre escrita ministrado por Emma Bull, Will Shetterly, e Stephen Gould. Passei pelo começo do meu primeiro romance, Nightseer, e uma pequenas história com Anita Blake. O workshop não me ensinou a ser uma escritora melhor, mas me ensinou a ser uma editora melhor do meu próprio trabalho. Também fui introduzida ao meu grupo de escrita, The Alternate Historians.
Eu vendi a próxima história que eu coloquei no correio. “Stealing Souls” para Marion Zimmer Bradley.
Eu encontrei meu primeiro agente em uma dessas convenções. Com 29 anos eu segurava meu primeiro romance escrita e publicada, Nightseer, em minhas mãos. Ela era uma fantasia heróicas assim como um dos meus primeiros heróis, de Robert E. Howard.
Então o suporte ao mercado de fantasia caiu. Meu segundo romance, uma sequência de Nightseer, foi rejeitado por meu editor. Peguei um trabalho com um contrato para um romance de Star Trek que seria Nightshade. Mas ninguém queria mais nenhum livro longo de mim e eu sabia que eu não iria viver da venda de pequenas histórias. Minha carreira parecia estar acabando antes de realmente começar. Em desespero eu fui até meus arquivos de pequenas histórias não vendidas para ver se alguma coisa lá poderia ser transformada em um romance. Eu encontrei a história “Those Who Seek Forgiveness,” estrelando Anita Blake. EU havia coletado algumas belas rejeições por ela. Os editores amaram, mas não sabiam o que fazem com ela. Editores de horror pensavam que era ficção científica, esses editores pensavam que era fantasia, e esses editores pensavam que era horror. Não havia nada como um thriller paranormal
no final dos anos 80. Mistura de gêneros era uma palavra suja na publicação, porque isso não vendia, ou isso foi o que me disseram.
Eu sentei e começei a escrever uma história no mundo da Anita. Eu tinha umas 70 páginas prontas quando fui a Archon, uma convenção em St. Louis. Lá eu iria ler aquelas poucas páginas para uma sala fechada. Porque uma sala fechada para uma escritora desconhecida? Eles pensaram que eu era a Melissa Snodgrass que estava fazendo scripts para Star Trek: Next Generation. Ela precisou cancelar no último minuto, mas seu nome ainda estava na porta da sala. Como eles não sabiam como ela era, e não me conheciam, eles se sentaram para ela, mas ficaram para minha leitura do que eventualmente seria Guilty Pleasures, o primeiro romance de Anita Blake. Eu li para eles aquelas páginas porque eu precisava saber que eu não estava perdendo meu tempo. Quando eu terminei de ler a sala estava em um silêncio mortal, e meu coração foi aos meus pés. Eu pensei que eles haviam odiado. Então do silêncio vieram ofegos, aplausos e gritos de “Quando isso será publicado?”. Eu não tinha idéia. “Leia mais para nós!”. Eu não podia, porque eu li para eles tudo que eu tinha, mas isso me deu esperanças e eu fui para casa e terminei o livro.
Guilty Pleasures demorou pelo menos dois anos para ser vendido. Todo mundo gostou, mas ninguém queria comprá-lo. Foi o mesmo problemas que eu tive com a história curta. Eu finalmente vendio para a Penguin Putnam, como um ‘Ace original’. Eu tinha um contrato de trÊs livros, e eu estava extasiada. Depois da minha primeira série morrer com apenas um livro lançado, eu sabia que haviam pelo menos três livros Anita Blake. Como escritora eu estou prestes a iniciar o tour do 17º livro Anita Blake, Skin Trade*.
*Nota de tradução: Quando a autora escreveu esse texto ela havia acabado de lançar Skin Trade. Atualmente ocorreu o lançamento do 20º livro da série, Hit List.